Isadora Cardoso é graduada em Ciência Política pela Universidade de Brasília e mestre em Estudos sobre Globalização e Desenvolvimento pela Universidade de Maastricht. Em seu doutorado, atua nas fronteiras tensionadas entre o ativismo e a pesquisa, com foco em discursos e práticas sobre e para a justiça climática, utilizando métodos, éticas e conceitos decoloniais, queer e interseccionais. Antes do doutorado, foi pesquisadora no Instituto de Pesquisa para a Sustentabilidade – RIFS Potsdam, onde investigou transições energéticas justas no Brasil e na Alemanha. Desde 2016, Isadora trabalha e pesquisa soluções e perspectivas interseccionais e decoloniais para a crise climática, colaborando com ONGs, agências da ONU, movimentos sociais e fundações voltadas para a justiça climática e de gênero no Brasil, na Alemanha e em espaços transnacionais, como a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).
Uma luta, uma causa: perspectivas interseccionais e decoloniais na pesquisa-ação com movimentos e comunidades que exigem justiça climática
Este projeto de pesquisa investiga o potencial de combinar métodos, ideias e éticas decoloniais, interseccionais e queer para fortalecer a pesquisa-ação voltada à justiça climática. O trabalho foi realizado junto a coletivos ativistas e comunidades organizadas a partir de posicionalidades/diferenças, como grupos de jovens e quilombolas no Brasil e na África do Sul, além de observação participante em conferências internacionais sobre o clima e em espaços ativistas em Berlim dos quais Isadora faz parte. Nesses contextos, Isadora levanta questões sobre como privilégio e opressão se articulam com as demandas e visões que os participantes da pesquisa têm em relação à justiça climática. Movida por perguntas enraizadas no pensamento crítico emancipador — como agentes situados de forma diferente podem colaborar para desmontar sistemas opressivos interdependentes e promover justiça — e inspirada pela mais recente formulação da interseccionalidade como teoria social crítica de Patricia Hill Collins (2019), Isadora apresenta argumentos baseados no desejo de transformar a pesquisa social e a organização política. Ao refletir cuidadosamente sobre momentos-chave do trabalho de campo, entendidos como parte de um processo responsável de pesquisa-ação colaborativa com grupos marginalizados e comprometida com a transformação social, Isadora amplia e aprofunda os debates e práticas sobre interseccionalidade, métodos e éticas decoloniais, e justiça climática.
[Foto: Ana Rodriguez]